Parece que foi ontem que escrevi no meu blog sobre o lançamento do Angles, álbum da banda americana The Strokes, lançado em 2011. Algum tempo se passa, a banda faz uma turnê mundial com passagem pelo Brasil e... TEMOS UM NOVO DISCO!
Comedown Machine, lançado essa semana para audição online, é um dos trabalhos mais aguardados dos Strokes. Isso porque no álbum passado o quinteto mostrou uma sonoridade completamente diferente do que os fãs estavam acostumados, com sons e batidas eletrônicas, fugindo um pouco do rock cru de guitarras marcantes dos primeiros anos de carreira.
As primeiras amostras do material que os Strokes apresentaram nessa semana surgiram no ultimo mês com o lançamento de dois singles, intitulados One Way Trigger e All the time. Para mim, um começo animador (entendam que gostei bastante da sonoridade do Angles), já que One Way Trigger é bem legal, com batidas rápidas, lembrando muito algumas bandas dos anos 80. O single foi muito criticado aqui no país, fizeram mil piadas sobre Strokes fazendo parceria com o Calypso etc.
O segundo single, All the time, acalmou bastante os fãs do conjunto, remetendo ao início da banda, com Julian Casablancas, vocalista, em uma bela apresentação, numa musica com boa pegada. Esta será, provavelmente, a primeira música de trabalho nessa nova fase.
Pois bem, liberaram o álbum para audição e logo dei o play. Os primeiros 20 segundos de Tap Out me deixaram eufórico, até que... a voz de Julian entrou, completamente apagada. Simplesmente não empolgou, parece faltar tesão. O instrumental está bem bacana mas a linha melódica da voz não impressiona.
Depois dos dois singles que já haviam sido lançados, vem Welcome to Japan, novamente com um bom instrumental e linhas vocais apagadas. A seguir, 80’s Comedown Machine, novamente com fortes influencias de músicas consagradas nos anos 80, com um ritmo dançante e vocais um pouco mais ousados, sempre acompanhados de distorção.
Em 50/50, uma música mais calma, com camadas instrumentais muito bem desenvolvidas e uma sonoridade que chega a lembrar o Radiohead em alguns trechos - um momento de respiro do álbum.
Julian se esconde atrás dos microfones novamente em Slow Animals, em uma música sem sal. A seguir, mais uma balada influenciada pelos 80, com camadas de sintetizadores muito bem construídas em uma canção gostosa de se ouvir, chamada Partners in crime.
Chances é outra música comum, onde os Strokes não ousam e mostram mais do mesmo apresentado nesse ano.
O fim do álbum se aproxima com a chegada de Happy Ending, penúltima canção de Comedown Machine. Ufa, podemos respirar aliviados com uma boa música! Riffs que lembram o Angles, Julian Casablancas um pouco mais saidinho e uma batida bem dançante.
A última música do álbum é uma agradável surpresa e na minha opinião, o ponto alto do lançamento. Call it fate, call it karma nem parece Strokes, de verdade. Uma balada lenta, guiada por uma guitarra com um belo timbre e um lindo refrão. Uma canção bem calma, que chega a lembrar Devendra Banhart e Little Joy (esta última, formada por Fab Moretti, baterista do quinteto nova-iorquino, com o brasileiro Rodrigo Amarante e Binki Shapiro).
Os Strokes não acertaram e nem erraram com Comedown Machine. É um disco com altos e baixos. Durante os anos de estrada a banda foi criando composições mais complexas e isso fica claro após a audição de todas as músicas lançadas. O que fica abaixo do esperado é a atuação do vocalista Julian Casablancas, que parece ter ousado pouco com os timbres apresentados neste trabalho.
Definitivamente não é a obra prima dos Strokes, mas também não será uma mancha na carreira. O que nos resta é esperar para ver como vai ser a execução de músicas tão complexas em shows.

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