28 de março de 2013

Devendra Banhart, prazer

*Matéria originalmente publicada no anaunplugged.com no dia 28 de março de 2013


Hoje venho apresentar mais um músico fenomenal que conheci nos últimos anos, o Devendra Banhart.
Esse americano me conquistou com sua música alegre e muito dançante, as vezes bem despretensioso e relaxado. Não entendeu? Então assiste esse vídeo aqui embaixo, onde ele apresenta a música “Carmensita” no Coachella de 2009. Olha o clima das pessoas e o show que ele dá.


Alguns de vocês devem ter reparado (ou não) em um rosto conhecido nas guitarras da banda do Devendra. Pois bem, Rodrigo Amarante, guitarrista e vocalista dos Los Hermanos acompanha Banhart em suas turnês, além de auxiliar na composição e em gravações. Eles também se ajudaram na banda Little Joy e no Megapuss. Segundo uma entrevista pra Rolling Stone Brasil, todos passam pelo país em turnê ainda em 2013.

O americano apresenta um som bem variado durante sua carreira. Muitas vezes, influenciado pela nossa Bossa Nova, muitas coisas voz e violão. Alguns traços de Zappa e soft rock também podem ser vistos em suas músicas, como na ótima Baby e em Foolin’.

Conhecido com um dos maiores nomes do indie americano e muitas vezes rotulado com freak-rock, Devendra também é conhecido por ter namorado a atriz Natalie Portman (é sério).

Como sempre falo, nada melhor do que ouvir uma banda para conhece-la. Então ouça Brindo, de Devendra Banhart abaixo, em um dos clipes mais lindos já feitos na história.

  

@JuliaoPacheco

20 de março de 2013

Crítica: Comedown Machine, o novo álbum dos Strokes

*Matéria originalmente publicada no Anaunplugged.com no dia 20 de março de 2013


Parece que foi ontem que escrevi no meu blog sobre o lançamento do Angles, álbum da banda americana The Strokes, lançado em 2011. Algum tempo se passa, a banda faz uma turnê mundial com passagem pelo Brasil e... TEMOS UM NOVO DISCO!

Comedown Machine, lançado essa semana para audição online, é um dos trabalhos mais aguardados dos Strokes. Isso porque no álbum passado o quinteto mostrou uma sonoridade completamente diferente do que os fãs estavam acostumados, com sons e batidas eletrônicas, fugindo um pouco do rock cru de guitarras marcantes dos primeiros anos de carreira.

As primeiras amostras do material que os Strokes apresentaram nessa semana surgiram no ultimo mês com o lançamento de dois singles, intitulados One Way Trigger e All the time. Para mim, um começo animador (entendam que gostei bastante da sonoridade do Angles), já que One Way Trigger é bem legal, com batidas rápidas, lembrando muito algumas bandas dos anos 80. O single foi muito criticado aqui no país, fizeram mil piadas sobre Strokes fazendo parceria com o Calypso etc.

O segundo single, All the time, acalmou bastante os fãs do conjunto, remetendo ao início da banda, com Julian Casablancas, vocalista, em uma bela apresentação, numa musica com boa pegada. Esta será, provavelmente, a primeira música de trabalho nessa nova fase.

Pois bem, liberaram o álbum para audição e logo dei o play. Os primeiros 20 segundos de Tap Out me deixaram eufórico, até que... a voz de Julian entrou, completamente apagada. Simplesmente não empolgou, parece faltar tesão. O instrumental está bem bacana mas a linha melódica da voz não impressiona.

Depois dos dois singles que já haviam sido lançados, vem Welcome to Japan, novamente com um bom instrumental e linhas vocais apagadas. A seguir, 80’s Comedown Machine, novamente com fortes influencias de músicas consagradas nos anos 80, com um ritmo dançante e vocais um pouco mais ousados, sempre acompanhados de distorção.

Em 50/50, uma música mais calma, com camadas instrumentais muito bem desenvolvidas e uma sonoridade que chega a lembrar o Radiohead em alguns trechos - um momento de respiro do álbum.

Julian se esconde atrás dos microfones novamente em Slow Animals, em uma música sem sal. A seguir, mais uma balada influenciada pelos 80, com camadas de sintetizadores muito bem construídas em uma canção gostosa de se ouvir, chamada Partners in crime.

Chances é outra música comum, onde os Strokes não ousam e mostram mais do mesmo apresentado nesse ano.

O fim do álbum se aproxima com a chegada de Happy Ending, penúltima canção de Comedown Machine. Ufa, podemos respirar aliviados com uma boa música! Riffs que lembram o Angles, Julian Casablancas um pouco mais saidinho e uma batida bem dançante.

A última música do álbum é uma agradável surpresa e na minha opinião, o ponto alto do lançamento. Call it fate, call it karma nem parece Strokes, de verdade. Uma balada lenta, guiada por uma guitarra com um belo timbre e um lindo refrão. Uma canção bem calma, que chega a lembrar Devendra Banhart e Little Joy (esta última, formada por Fab Moretti, baterista do quinteto nova-iorquino, com o brasileiro Rodrigo Amarante e Binki Shapiro).

Os Strokes não acertaram e nem erraram com Comedown Machine. É um disco com altos e baixos. Durante os anos de estrada a banda foi criando composições mais complexas e isso fica claro após a audição de todas as músicas lançadas. O que fica abaixo do esperado é a atuação do vocalista Julian Casablancas, que parece ter ousado pouco com os timbres apresentados neste trabalho.

Definitivamente não é a obra prima dos Strokes, mas também não será uma mancha na carreira. O que nos resta é esperar para ver como vai ser a execução de músicas tão complexas em shows.



18 de março de 2013

Você conhece o The XX?

*Matéria originalmente publicada no anaunplugged.com

Venho lhes apresentar mais uma banda fantástica que conheci nos últimos tempos. É o The XX, formada por Romy Madley Croft (guitarra e voz), Oliver Sim (vocais e baixo) e Jamie Smith (DJ e produção).

Naturais da Inglaterra, cresceram na cena indie depois do lançamento do primeiro CD, com o mesmo nome da banda. Em 2012, o lançamento do segundo álbum, intitulado Coexist.

O The XX é uma banda que pode soar um pouco estranha na primeira audição, mas você se acostuma e não consegue parar de ouvir. Batidas eletrônicas em um ritmo um pouco mais calmo, baixos e guitarras simples e vozes arrastas se alternam com bons refrãos.

Mas na internet a banda ficou conhecida mesmo depois que comentaram que era musica para fazer
sexoamor.

Vê lá onde você vai ouvir XX, hein?

Ouça abaixo o primeiro CD do XX


Me segue no twitter aí! @JuliaoPacheco (clica)

15 de março de 2013

Paul Banks em São Paulo | Crítica



*Texto originalmente publicado no Omelete.com.br no dia 15 de março de 2013

Dois tipos de público estiveram no Cine  Joia (SP) para assistir ao show de Paul Banks, vocalista do Interpol: as os fãs da banda norte americana; e os que queriam ver o cantor por causa da carreira solo, que experimenta sonoridades diferentes das mostradas no conjunto.

A verdade é que a plateia toda foi para casa com sorrisos no rostos, assim como o músico, encantado com a receptividade brasileira e com o ambiente aconchegante da casa de shows quase lotada. O inglês subiu ao palco próximo das 23 horas, após o show de abertura da banda paulistana Hatchets, que fez uma boa apresentação, mostrando músicas com batidas eletrônicas e um som alegre.

Começando o show com “Unwind”, música do álbum Julian Plenti Is... Skyscraper, Paul pareceu um pouco surpreso com a reação do público, muito animado desde os primeiros acordes tocados pela ótima banda que o acompanha. O show seguiu com canções da carreira solo do cantor, com algumas palavras em português entre as músicas e um agradecimento pelo esforço para viabilizar o show no país - pois sua vinda só se tornou realidade por meio de um crowdfunding, promovido pela Playbook e pela plataforma de shows do Club NME. Essa “vaquinha” liderada pelos apoiadores e fãs está se tornando frequente no Brasil. Howler, Andrew Bird, Soulfly e o DJ Tiesto já participaram de iniciativas parecidas.

Com um pouco mais de uma hora de show, Paul Banks saiu do palco depois da animada "Summertime is coming", ovacionado pelos espectadores, que pediram bis, e foram atendidos com três músicas – que foram o ponto alto do show: "Skyscraper", "On the Esplanade" e "Games for Days". Banks foi democrático, esperto, deixou todos satisfeitos com uma boa apresentação e ainda provocou os fãs de Interpol, que agora, imploram por mais um show da banda no país.

13 de março de 2013

Festivais: sim ou com certeza?


Para quem me conhece é fácil perceber que adoro shows. Não só adoro, como gasto todo meu dinheiro suado com isso. Gosto porque é no palco que você vê se a banda que você ouve o CD todos os dias é boa mesmo. É lá que você percebe que umas 30 mil pessoas compartilham o mesmo gosto que você e que pode até acabar fazendo amizades interessantes (incrível!). 

Mas tudo muda quando falamos de festivais, especialmente quando nos referimos aos grandes. O meu primeiro dos grandes foi o Live n’ Louder 2005 (no auge dos meus 16 anos de idade), quando decidi assistir os Scorpions.
Graças a Deus meu gosto musical mudou (perdão aos fãs de Scorpions) e passei a me interessar por outras coisas. Segui indo aos shows e fests até que pude ir para um desses gigantescos fora do país – o Hard Rock Calling, em Londres. Mais de 60 mil pessoas em três dias de show, com Jamiroquai, Ben Harper, The Hives, Elvis Costello, Stevie Wonder, Pearl Jam e Paul McCartney. Aí me apaixonei, gente.

Voltei pro Brasil seco por festivais e logo me deparei com o Planeta Terra, que mistura novidades com artistas consagrados (como um bom festival deve ser, na minha opinião). Depois veio o SWU (R.I.P) e o Lollapalooza, que chegou com tudo. Não posso esquecer do Rock in Rio, onde tudo começou, nem de festivais “menores”, como o Sonar.

O bom do festival é que todo mundo está lá pelo mesmo motivo – a diversão. Não importa se está chovendo, a cerveja está quente ou se umas 30 mil pessoas estão entre você ou o palco, tudo o que você precisa é de um grupo de amigos e força (se show já te deixa cansado, imagina um festival).

Se você é um daqueles que fica de lero-lero porque é muita gente, confusão, difícil de chegar, bandas chatas e tudo mais, tente uma vez (só uma), ir a um grande festival sem pensar nisso. Ir pra festival é passar perrengue e é isso que o torna mais divertido.

Essa sexta vou postar uma playlist de aquecimento pro Lolla!

Também vale lembrar que vou pro Coachella, na California, e vou fazer uma cobertura linda e maravilhosa pra cá.

11 de março de 2013

Playlist de aquecimento pro Lollapalooza!

Praticamente duas semanas para o Lollapalooza Brasil, que acontece nos dias 29, 30 e 31 de março no Jockey Club de São Paulo. 

Não sabe o que assistir? Não conhece muita coisa? Conhece tudo e quer entrar no clima do festival? Então ouve a playlist que fiz aí, com um pouco do que vai rolar no festival! Tem Black Keys, Alabama Shakes, Pearl Jam, Killers, Of Monsters and Men, CAKE, Planet Hemp, Two Door Cinema Club, Queens of the Stone Age, Franz Ferdinand e muitas outras bandas. 

É só dar play aí embaixo e ouvir (deixa a janela aberta e vai fazer outras coisas enquanto você ouve). 


Vale lembrar que a ideia foi da Julia Bergamo e que essa playlist também vai estar disponível no Ana Unplugged a partir de sexta. 

Alias, esqueci de falar que estou escrevendo lá também. É um blog de música, com muita gente que entende do assunto, idealizado pela Ana Soares (@anacheiadegraca). 


Clique aqui para mais informações sobre o Lollapalooza

Vale lembrar que essa é uma listinha com as coisas que eu mais gosto de ouvir. O bom de festival é que cada um tem uma experiência diferente. 


8 de março de 2013

Paul McCartney e eu

*Matéria originalmente publicada no anaunplugged.com
 
Aproveitando que Sir Paul McCartney anunciou mais shows no Brasil em 2013 (temos BH e Fortaleza que já estão confirmados), decidi fazer esse texto.

Como a maioria dos amantes da música, sou um grande fã de Paul McCartney. Acho que o fato do cara ser o único Beatle em atividade e em alto nível (não fiquem bravos, fãs do Ringo), influencia muito nessa admiração. Então decidi contar um pouco sobre como Paul tem me acompanhado nesses anos.

Conheci bem os Beatles na minha adolescência e sempre curti o som dos caras. Quando fiquei um pouco mais velho, decidi fazer meu primeiro mochilão pra Europa, passando por alguns países, dentre eles, a Inglaterra. Fechei tudo – comprei passagem, hotel, etc. E aí anunciaram um festival de três dias, quase uma semana antes da minha chegada ao país. Um dos headliners era o Paul e decidi mudar tudo para ir ao show. Consegui amigos que animaram e também mudaram os planos e fomos todos. Vale dizer que o festival também teve Pearl Jam, Bem Harper, Stevie Wonder, Jamiroquai, The Hives e Elvis Costelo, o que ajudou na decisão de mudar os planos.

No dia 27 de junho de 2010 entrei no Hyde Park lotado, após uma derrota da Inglaterra com gol “roubado” na Copa do Mundo. Todos com clima patriota, sol se pondo atrás do palco e um Beatle na minha frente. Poucas vezes me emocionei tanto com algo. O show foi perfeito, com uma qualidade de som que ainda não tinha visto em nenhum show no Brasil. Como estava tocando no quintal de casa, Paul estava soltinho, interagindo muito com a plateia. Fiquei louco, porque nunca tinha visto nada parecido e ele ainda não tinha se apaixonado pelo Brasil, como aconteceria alguns meses depois.

Não demorou muito e o meu Beatle preferido anunciou que viria ao Brasil. Moro em São Paulo então logo providenciei ingressos para o show marcado para o Morumbi. Mais uma apresentação magnífica, especial tanto quanto a de Londres, mas diferente. Dava pra ver que o Paul se apaixonou pelo povo brasileiro.

E agora o melhor Beatle de todos (polêmica) anuncia que virá novamente ao Brasil, provavelmente para três shows: Fortaleza, Belo Horizonte e Brasília. Quando saírem informações sobre ingressos e datas, avisamos!

Ouça abaixo um combo de Paul McCartney: "A Day In A Life/Give Peace A Chance/Let It Be/Live And Let Die", ao vivo em NY:
*Julião Pacheco é jornalista e rockstar frustrado, bonito, engraçado, inteligente, tem bom gosto musical e sabe tocar guitarra. E é solteiro - @JuliaoPacheco

6 de março de 2013

Você conhece o Phoenix?

*Matéria originalmente publicado no AnaUnplugged.com

Algumas pessoas devem conhecer o Phoenix como aquela banda moderninha que toca Lisztomania. Outros, podem conhecer mais, e já até ouviram o CD recém vazado na internet, o Bankrupt!. Mas também conheço muita gente que não faz ideia do que eu estou falando, e por isso, apresento-lhes essa banda fantástica.

Lisztomania, a música mais conhecida do Phoenix

O Phoenix é uma banda francesa, criada em 1999 que acabou bombando lá por 2005. O som deles é uma mistura de rock, pop e muitos elementos eletrônicos, tipo sintetizadores e batidas gostosas.

Poucos sabem disso, mas a origem da mistura da música eletrônica do Phoenix veio do Daft Punk. O guitarrista Laurent Brancowitz participou da banda Darlin' no início de 1992. A parceria acabou durando apenas um ano e com o fim do conjunto, dois dos integrantes, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo formaram o consagrado Daft Punk.

Em 2006 eles lançaram o CD It's Never Been Like That (que é muito bom, recomendo). Em 2009 veio o Wolfgang Amadeus Phoenix, o meu favorito e o mais conhecido. Em 2010 uma passagem pelo Brasil para tocar no Planeta Terra, no Playcenter, em São Paulo.

Depois de um hiato, a banda volta a lançar um CD, o Bankrupt!, que está mais eletrônico do que nunca. Oficialmente, a banda só lançou um single, a música Entertainment, mas extra oficialmente, o CD vazou na internet e pode ser facilmente encontrado para download (não estamos incentivando a pirataria, hein! Só estou contando que é fácil de encontrar e se quiser eu tenho o link, me acha no twitter  @JuliaoPacheco).

Nesse novo álbum eles apostaram mais do que nunca nos sintetizadores, se aproximando ainda mais do Daft Punk (fantástico). Vão voltar para turnê e vão ser headliners do Coachella Festival (eu vou no festival, então preparem-se para ouvir muito do Phoenix mais pra frente).

Ouça Entertainment, o primeiro single do Bankrupt!, novo disco do Phoenix.

Mais uma curiosidade sobre o Phoenix: o vocalista Thomas Mars é casado com a diretora Sofia Coppola, que acaba usando as músicas da banda na trilha de seus filmes. Em Somewhere (2010), a ótima canção Love like a sunset dá o ar da graça algumas vezes. O conjunto também apareceu fazendo figuração em Marie Antoinette (2006).

Acho que a melhor forma de conhecer uma banda é ouvindo. Joga o nome da banda no youtube e seja feliz! Se quiser mais dicas, me acha no twitter.
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*Julião Pacheco é jornalista, bonito, engraçado, inteligente, tem bom gosto e sabe tocar guitarra. Ele também é solteiro. (@JuliaoPacheco).