28 de abril de 2013

Bankrupt! - Phoenix | Crítica

*Matéria originalmente publicada no Omelete.com.br no dia 28 de abril de 2013


Se existe uma banda que está em alta neste ano, esta é o Phoenix. Depois de um ano sem shows, o grupo voltou de forma apoteótica como principal atração do Coachella  e agora lança Bankrupt!, seu quinto álbum de estúdio.

Phoenix é conhecido por misturar um rock com elementos genuinamente eletrônicos, como sintetizadores e samples. Essa é uma herança dos tempos em que o guitarrista Laurent Brancowitz  participou da Darlin, banda que daria origem ao Daft Punk - saiba mais sobre a história deles no nosso especial.

Essas características nunca estiveram tão presentes na sonoridade como em Bankrupt!. Os sintetizadores são tocados para a criação de camadas de sons que vão tomando corpo no decorrer das músicas. A maioria dos riffs também são feitos em instrumentos eletrônicos como em "Entertainment", primeiro single do disco. As primeiras notas remetem à uma influência oriental, com riff pegajoso e um bom ritmo, ideal para abrir um show. "Entertainment" é, sem dúvidas, o hit do álbum e tem grande potencial para uma boa resposta do público como foi com "Lisztomania", do álbum Wolfgang Amadeus, de 2009.

O álbum segue com "The Real Thing" e "SOS in Bel Air", duas canções um pouco mais calmas, com letras mais trabalhadas. Os elementos orientais aparecem, desta vez, nos teclados. É notável também substituição da guitarra e do baixo pelos sintetizadores em diversas faixas. Brancowitz e o baixista Deck trabalham muito bem com esses elementos, que ao mesmo tempo encorpam e deixam o som mais delicado - ouve-se cada nota muito bem.

"Trying to be Cool" é uma dos melhores trabalhos de Bankrupt!. Dançante, com bom refrão, de fácil memorização e com grandes chances de ser o próximo single do Phoenix. A faixa-título é longa e praticamente composto por instrumentais que eles sempre lançam; trabalhando ao máximo esse conceito de camadas de sons em loop, marca registrada dos caras. Foi assim com "North", no álbum It’s Never Been Like That, e com "Love Like a Sunset", no Wolfgang Amadeus. No Coachella, inclusive, eles fizeram um belo mashup de "Love Like a Sunset" e "Bankrupt", chamado de Sunskrupt.

Talvez a grande preocupação ao ouvir este disco é a complexidade dos instrumentos gravados e no que será a execução ao vivo. Por vezes, eles tocam com três teclados simultâneos, guitarra e bateria, em conjunto com alguns playbacks de coros ao fundo - tudo executado com maestria. As faixas "Drakkar Noir" e "Chloroform" se fundem de uma forma muito harmoniosa. A primeira parte tem uma batida mais acelerada. Os segundos depois do primeiro refrão mostram um dos melhores trechos do disco, que é repetido posteriormente na fusão das músicas. "Chloroform" é um pouco mais sombria e lenta. A canção seguinte é "Don’t", que posssui um riff semelhantes Às trilhas de games do início dos anos 90.

"Bourgeois" é mais uma música lenta, que começa com um loop de teclado crescente e ganha forma com a entrada da bateria. Uma pausa repentina e a entrada da voz de Thomas Mars bem serena, acompanhada de um violão. A bateria volta a marcar o ritmo na ponte e o clima da música vai sendo criado para o refrão. A construção conceitual dá grandeza a está que é a melhor faixa de todo o álbum.

Bankrupt! é encerrado com "Oblique City", uma daquelas canções que não são maravilhosas, mas definem bem o conceito de todo o trabalho. Muitos elementos eletrônicos e sintetizadores misturados com instrumentos “analógicos”, boas linhas vocais e sonoridade clara e bem definida. Os dois anos fechados nos estúdios valeram a pena - este álbum é um atestado que o Phoenix é das grandes bandas da atual cena musical.

22 de abril de 2013

Especial | Coachella 2013 - Terceiro Dia


A organização do Coachella  não poderia ter feito uma escolha melhor para fechar o festival que acontece todos os anos na Califórnia, no mês de abril, durante dois finais de semana seguidos. O Red Hot Chili Peppers  é uma banda local e a identificação com o público torna o show mais empolgante ainda. São músicos com experiência. Chad Smith, Flea e Anthony Kieds tocam juntos há trinta anos – o suficiente para entrar no modo automático e apresentarem um show sem falhas.



Mas o incrível é que eles ainda fazem tudo com muito amor, dando o sangue em cada música. Eles ainda se animam muito em Give it Away, Chad continua tocando bateria com uma pegada invejável para quem tem 50 anos de idade, Anthony segue impressionando em Suck My Kiss e Flea ainda faz um show a parte, com um carisma inacreditável. Outra coisa: é impressionante como a plateia inteira canta praticamente todas as músicas. Um hit atrás do outro. Dá pra sentir saudades de John Frusciante, que deixou as guitarras da banda há alguns anos e foi substituído por Josh Klinghoffer. Ele é bom segura a onda, mas não tem a pegada de Frusciante.

De todos os dias do festival, esse foi o que a pista esteve mais cheio. Além do RHCP, o Main Stage abrigou os shows de Nick Cave and the Bad Seeds, Vampire Weekend, The Lumineers, Gasligth Anthem e Social Distortion.



Os Lumineers fizeram um bom show, mas não chegaram a animar a plateia, diferentemente do Tame Impala, uma das bandas mais comentadas do momento. Eles atraíram muita gente para o Outdoor Stage e mostraram um rock cheio de influências country e do blues. Uma boa dica para quem não conhece. O Vampire Weekend  veio para o Coachella 2013 para provar que tem capacidade de tocar no palco principal de um dos maiores festivais do mundo – e se saíram muito bem. Os hits "Oxford Comma" e "A-Punk" foram o ponto alto da apresentação de uma hora. A plateia estava muito feliz e o show aconteceu logo depois do pôr-do-sol, para delírio de todos que sofreram com o calor dos três dias de festival - média de 36ºC.

É preciso beber água o tempo inteiro, o Coachella acontece no meio do deserto, com clima muito seco, poeira e sol de rachar. Para amenizar, a organização mantém o preço da garrafa de água o mesmo desde a primeira edição do festival: $2. Além disso, disponibilizam bebedouros em alguns lugares mais afastados, para quem quer matar a sede e se refrescar. A única coisa realmente gelada que dá pra beber é uma raspadinha de limão bem gostosa, que custa $4. De resto, tudo fica quente muito rápido e não refresca.

Outra coisa legal que tem no Coachella é uma loja de CDs e vinis bem completa. Após a compra, os funcionários guardam e no fim do dia você assa e leva seu produto para casa. De quebra, pode acabar conhecendo seu ídolo, já que em horários marcados, eles dão autógrafos - as filas são enormes, mas vale a pena.



A impressão que fica é que o Coachella é um organismo que sobrevive sozinho. Tudo funciona muito bem e em perfeita harmonia. Há alguns dias anunciaram que os organizadores já fecharam o aluguel do espaço por mais dez anos - ou seja, ainda tem muito festival pela frente.

*Julião Pacheco é jornalista, escreve para o Blog do Julião e fala tudo sobre o Coachella em seu Twitter @juliaopacheco

21 de abril de 2013

Especial | Coachella 2013 - Segundo dia

*Matéria originalmente publicada no Omelete.com.br no dia 21 de abril de 2013

Mais calor, mais suor, mais água e menos roupa. Foi assim que começou o segundo dia do último final de semana do Coachella 2013, em Índio, na Califórnia. O destaque musical foram os franceses do Phoenix, uma das grandes apostas do evento. Eles fecharam o dia de apresentações no palco principal com a pista lotada, diferente do que aconteceu com os headliners (Stone Roses e Blur) no dia anterior.



Aposta porquê, até então, o quarteto era considerado uma banda de porte médio, que normalmente tocaria na parte da tarde. Além disso, eles estão lançando disco agora e são poucas as pessoas que conhecem as novas canções. Opção bem sucedida da organização. Eles subiram ao palco para tocar a música de trabalho "Entertainment", que apesar de ser recente, já está na boca do público. A iluminação do palco impressiona, com muitas cores. O show seguiu com um combo de hits: Lasso, Lisztomania, Long Distance to Call e Fences, todas muito bem executadas. Ainda teve "The Real Thing", que estará no álbum com lançamento previsto para esta segunda, 22 de abril, Bankrupt!.

O Phoenix gosta de fazer músicas conceituais. No álbum Wolfgang Amadeus, eles lançaram Love Like a Sunset, que mistura muitas camadas de sintetizadores e batidas eletrônicas. No Coachella, eles fizeram um mix entre ela e a faixa Bankrupt!, que segue a mesma linha - boa combinação.



Um pouco antes, no mesmo palco, os ingleses do The XX mostraram o porque de serem uma das bandas mais aclamadas pela crítica internacional nos últimos anos. Eles tocaram por pouco mais de 50 minutos, apresentando novas músicas que devem fazer parte de seu terceiro disco. O público delirou na conhecida "Basic Spaces". 

Ao mesmo tempo, acontecia o show do Two Door Cinema Club e do Franz Ferdinand, em palcos diferentes. Muita gente reclamou, dizendo que bandas tão conhecidas não podem conflitar em um lineup. A verdade é o Coachella é gigantesco. São dois grandes palcos que ficam lado a lado, tocando simultaneamente e outros três espaços de apresentações um pouco menores, mas mesmo assim, com uma capacidade considerável. Fora as duas tendas de música eletrônica e um outro palco alternativo. Fica praticamente impossível assistir tudo, já que as distancias são longas e tem muita gente boa tocando.

Mas com tantos palcos, o som não fica embolado? Não. Apesar de todos os palcos estarem lado a lado, o som não vaza e não atrapalha ninguém. A qualidade de som é incrível. Não esteve baixo em nenhum momento, tudo muito limpo e claro. Aliás, muita coisa funciona. É possível encher sua garrafa de água de graça em pontos específicos do festival, não tem fila para comida e pouca fila para o banheiro. Outra coisa que chama a atenção é a presença da Polícia da Califórnia dentro da área de shows, se certificando que tudo está correndo bem.



Voltando aos shows, outro bom momento do sábado foi o Major Lazer, que se apresentou recentemente no Lollapalooza Brasil. Com uma música eletrônica muito dançante, eles incendiaram o palco Mojave. Um dos shows mais animados de todos os realizados. O Hot Chip arrastou um bom público para o Main Stage e apresentou um empolgado set list. A banda tem músicas bem complexas, com muitos elementos diferentes tocados em sintetizadores (são quatro pessoas tocando ao mesmo tempo). Tudo muito bonito.

O último dia do Coachella acontece nesse domingo com apresentações de Red Hot Chilli Peppers, Vampire Weekend, Nick Cave and the Bad Seeds, Tame Impala, The Lumineers, e Gaslight Anthem.

*Julião Pacheco é jornalista, escreve para o Blog do Julião e fala tudo sobre o Coachella em seu Twitter @juliaopacheco

20 de abril de 2013

Especial | Coachella 2013 - Primeiro dia do segundo fim de semana


O sol brilhou na cidade de Indio (CA) para o início do segundo fim de semana do Coachella 2013. Mesmo com uma média de 33o durante o dia, o público permaneceu animado para um dos principais eventos musicais do ano, que contou com apresentações do Blur, Yeah Yeah, Yeahs e Of Monsters and Men.

Os portões foram abertos as 11h da manhã da sexta-feira, permitindo que milhares de pessoas eufóricas corressem pelos campos do Empire Polo Club – ninguém avançava para pegar um lugar na grade, perto do palco, mas corriam pela simples alegria de estar no festival.



Um dos primeiros shows com um público considerável foi o do The Neighbouhood. Uma curiosidade: foi a própria banda que montou o palco, ligando os equipamentos e fazendo os testes com instrumentos e microfones. Após tudo certo, saíram rapidamente das vistas da plateia e logo retornaram, na companhia do vocalista Phillip Rice, que é muito carismático. A apresentação foi no Outdoor Theater, um palco menor, localizado ao lado do Main Stage, que recebe as atrações principais.

O som da banda é bom, um indie rock um pouco mais pesado com vocais bem legais, vale a pena pesquisar. A seguir, outro que animou a multidão foi Beardy Man. Ele é uma espécie de DJ, que montou um equipamento próprio, com um computador, alguns iPads e um teclado, misturando efeitos com sua voz e diversas batidas eletrônicas. Nenhuma música conhecida, mas ele sabia levantar o ânimo do público, que começava a sofre com o calor. Foi aí que passaram a soltar vapor de água em diferentes pontos do festival, fazendo a festa de todos. Uma tenda promocional com DJs desconhecidos chegava a ficar mais cheia que alguns palcos, tudo por causa da sombra e do vapor.



Caminhando de um palco a outro, viam-se figuras que tornam o Coachella um dos locais que lança tendências para o futuro. Muita gente jovem com roupas que, provavelmente, serão moda nos próximos anos.

Três bandas que se apresentaram no Lollapalooza Brasil fizeram parte do line-up do festival na sexta. O Passion Pit subiu ao palco principal do Coachella por volta das 18h. Abrindo os trabalhos com a consagrada "Carried Away", levou o público ao delírio com o carisma do vocalista Michael Angelakos. Com músicas dançantes, fizeram todos se mexer em pleno pôr-do-sol. O mesmo aconteceu com o Of Monsters and Men. O conjunto da Islândia apresenta uma sonoridade que combina com o clima de Indio, os integrantes mostram presença de espírito e lançam sorrisos a cada reação mais acalorada dos espectadores.

No fim da noite, o Foals tocou no palco Gobi, em uma apresentação avassaladora. Todos os resquícios de cansaço sumiram quando a grupo esbanjou carisma e levantou o público de uma maneira impressionanto, tal qual vimos no Lolla Brasil. Boa parte deste cansaço vinha também do show anterior, o do Stone Roses, um dos headliners da noite. Tecnicamente foi bom, com som bem regulado e com a banda entrosada, mas não suficiente para animar o festival. Os ingleses tocaram para uma pista bem vazia. Quem quissesse chegava facilmente perto do palco. Talvez por isso os veteranos desanimaram e não fizeram uma boa apresentação.

Blur, Yeah Yeah Yeahs e Skrillex - O Coachella apostou em uma noite de headliners ingleses, contando com o Blur para fechar o dia - na semana anterior, quem finalizou as apresentações foi o Stone Roses. Aparentemente, a mudança na ordem de apresentação foi uma opção certa, já que a pista estava bem mais cheia.



Conhecidos por shows intensos e com grande participação da plateia, o Blur fez uma apresentação melhor que na semana anterior, com mais animação por parte dos integrantes e contrapartida positiva dos espectadores. Eles abriram a noite com um dos clássicos, "Boys and Girls", cantada de cabo a rabo pelas quase 80 mil pessoas presentes. Não foi um show comparável a aquele no Hyde Park que virou um DVD posteriormente, mas foi bonito.

O Yeah Yeah Yeahs fez o melhor show da noite, superior, na verdade, a qualquer headliner do Coachella. Eles foram escalados para tocar no fim da tarde, com um show de 50 minutos sem nenhum lugar vazio plateia, animado e sem perder o ritmo um segundo sequer.

O consagrado DJ e produtor Skrillex apresentou seu trabalho paralelo intitulado Dog Blood na tenda Sahara, que estava absolutamente lotada. O Coachella é um festival democrático, com atrações para todo tipo de público. Dos rockeiros aos rappers, passando pelo eletrônico.



O segundo dia de festival acontece nesse sábado, com o Phoenix fechando a noite. Essa é uma grande aposta do Coachella, já que a banda era considerada de porte médio até então. Outros shows aguardados: The XX, Sigur Rós, New Order, Two Door Cinema Club, Franz Ferdinand, Moby, Hot Chip, Grizzly Bear e Major Lazer.

*Julião Pacheco é jornalista, escreve para o Blog do Julião e fala tudo sobre o Coachella em seu Twitter @juliaopacheco

19 de abril de 2013

Especial | Coachella 2013 - Dicas e como funciona

*Matéria originalmente publicada no Omelete.com.br no dia 19 de abril de 2013

A Califórnia está eufórica. Os dias entre os dois finais de semana do Coachella 2013  são fantásticos. É o assunto mais importante em todas TVs e estações de rádio. Restaurantes e bares ficam lotados de pessoas que já viram os três primeiros dias de festival e compartilham suas histórias com os que vão para a segunda rodada de shows. Apresentações paralelas acontecem pelas cidades do estado, principalmente em Los Angeles, com as bandas do line-up desse que é um dos maiores eventos musicais do mundo.


A verdade é que a maioria dos espectadores passa grande parte do ano esperando por esses três dias no meio do deserto localizado no Coachella Valley. Isso porque a pré-venda de ingressos, por exemplo, começa logo após as apresentações - muita gente compra ingresso com um ano de antecedência, mesmo sem saber as bandas que vão tocar. A segunda leva de vendas começa em meados de fevereiro. Esse ano, em algumas horas, os 160 mil ingressos (80 mil para cada fim de semana) se esgotaram. Ou seja, não dá pra decidir em cima da hora se quer ou não assistir. Estes custam cerca de $260, cerca de R$ 600, para os três dias.

Após a decisão de ir ao Coachella e de resolver a compra dos ingressos, deve-se prestar bastante atenção na escolha da hospedagem. As cidades em volta do festival comportam a demanda de turistas, mas os hotéis com melhor custo benefício podem ficar lotados em pouquíssimo tempo. Uma alternativa pode ser acampar no festival, em barracas, em um camping tradicional, ou no que eles chamam de car camping, onde é possível estacionar o carro e dormir nele - ainda sobra espaço para levantar uma barraca ao lado. Essas duas opções podem ser compradas com os ingressos e facilita a vida de muita gente que não quer se locomover para uma cidade vizinha após os shows.



As passagens aéreas costumam ter um preço acessível já que não é temporada de férias, mas quanto antes fizer a compra, melhor. Índio está a duas horas e meia de carro de Los Angeles. Muita gente aluga carros e dirige nas ótimas estradas Californianas até lá. O passeio é bonito, com belas paisagens e um outlet no meio do caminho - boa opção para quem gosta de fazer compras. Para quem não dirige, a organização disponibiliza linhas de ônibus que saem de pontos estratégicos do estado.

Na terra do Coachella - Chegando perto dos campos do Empire Polo Club, casa do Coachella, a ansiedade aumenta – jovens abarrotados em carros coloridos e pintados com a temática do festival, muitos caras com regatas e óculos com lentes espelhadas, meninas de shortinhos e blusas coloridas, muita alegria e vontade de fazer amizade. Alguns contam que estão ali só por causa das atrações voltadas ao rock, outras para as músicas eletrônicas. O festival é democrático, há todo tipo de música e atrai um público que se respeita.

Algumas filas para estacionar o carro e para a revista de segurança nos mostram que nem mesmo um evento desse porte consegue resolver o problema da espera - não se distanciando dos eventos brasileiro, como o Lollapalooza. Ao chegar na checagem por itens proibidos dá para entender o porquê da demora. Eles são minuciosos, olham cada mala nos carros a procura de drogas, garrafas de vidro e outras coisas consideradas não adequadas. Tinha gente com quantidades exorbitantes de bebida alcoólica, por exemplo, provavelmente com a intenção de vender para os acampados.

A organização também é de dar inveja, com muita gente trabalhando para fazer tudo dar certo. Nada de filas para pegar os ingressos (que na verdade são pulseiras feitas de tecido) na bilheteria. Inclusive, conversando com uma das pessoas que organiza a entrada no evento, descobri que eles trabalharam no Lollapalooza Brasil e Chile. Tem muita segurança e bastante gente orientando o público em inglês e espanhol. Não tem como ficar perdido. Também há banheiro químico, todos bem limpos, para quem espera nas filas para entrar no local dos shows.

As primeiras impressões são diferentes do convencional: parece que é pôr-do-sol o dia inteiro no Coachella. As cores do festival, a forma como as pessoas estão admirando a paisagem, as roupas meio hippies. É tudo muito bonito, diferente de qualquer outro lugar do mundo.

O primeiro dia do Coachella conta com os ingleses do Blur e do Stone Roses como headliners, além de shows de Foals, Yeah Yeah Yeahs, Jurassic 5, Tegan and Sara, Of Monsters and Men, Passion Pit, Modest Mouse, Band of Horses e outros.

O primeiro fim de semana de festival foi transmitido ao vivo no youtube e tem muita coisa por lá. Para assistir é só acessar canal oficial do festival no YouTube. Nos próximos dias continuaremos a cobertura com fotos e textos dos shows e do festival em si.



*Julião Pacheco é jornalista, escreve para o Blog do Julião e fala tudo sobre o Coachella em seu Twitter @juliaopacheco