19 de maio de 2013

The Vaccines em São Paulo | Crítica

*Matéria originalmente publicada no Omelete.com.br no dia 19 de maio de 2013

O Vaccines  provou que fazer um show no dia da Virada Cultural em São Paulo seria uma boa ideia. Os ingleses fizeram com que a pista do Grand Metrópole ficasse lotada, em uma apresentação boa em todos os quesitos - desde o som, que estava perfeitamente regulado, passando pelo público que respondia a cada hit tocado e pela atmosfera do lugar.

A noite começou com a abertura da banda Inky, composta por jovens que misturam música eletrônica com rock de uma forma muito madura. Lembra bastante o The XX, mas é bem mais dançante – vale a pena conhecer.



Enquanto o palco era montado entre o show que abriu a noite e a atração principal, não tem como não reparar na imponência do Grand Metropole. A pista não é muito grande mas há uma grande área para camarotes que ficam disponíveis para o público, sem contar os grandes lustres que dão um charme antigo para o lugar. O staff é bem atencioso e a localização é ótima, uma boa opção para shows de pequeno porte.

Alguns minutos depois das 11 da noite, as luzes se apagaram e a atração principal subiu ao palco. Uma demonstração calorosa do público seguido de um grande coral lembraram os Vaccines de como é fazer shows no Brasil: "Esse é o país que mais gostamos tocar! Obrigado por serem sempre incríveis", exclamou Justin Young, vocalista da banda.

"No Hope" foi a primeira a ser executada. Esta é uma canção que mostra bem o estilo dos Vaccines, aquele rockzinho gostoso de dançar, com influências do punk-rock britânico. Esta é a canção de abertura do disco mais recente, Come of Age, lançado em 2012.



A seguir, "Wrekin' Bar" manteve o público dançando, com uma energética performance do lead singer Justin Young, que foi para a galera e fez a alegria dos fãs que ficaram próximos a grade que separava a pista do palco. O show continuou animado com "Ghost Town" e "I Always Knew", cada vez com mais demonstrações de carinho entre a banda e a plateia. No hit "Post Break-up sex", um momento de respiro. Esta foi uma das músicas que alavancaram a banda, levando-os até a quarta posição das paradas musicais no Reino Unido.

Quem estava de olho na atuação da banda era Leo Ganem, CEO da Geo Eventos, que organiza o Lollapalooza Brasil, além de vários outros espetáculos. Vale lembrar que os Vaccines foram atrações de grandes festivais nos últimos anos, como o Reading & Leeds Festival, T in the Park e Isle of Wight. O delírio com o público veio com o "If you Wanna", música de maior sucesso dos ingleses e que frequentemente é tocada nas boates com música alternativa/indie da capital paulista.

"Family Friend" encerrou a primeira parte do show com aplausos incessantes de todo Grand Metropole. Alguns minutos de descanso e o bis, com as ótimas "Wierdo", "Teenage Icon" (uma das melhores do show, daquelas com refrão grudento e gostoso) e "Norgaard".

Após cerca de uma hora e meia de apresentação, os jovens ingleses se despediram dos brasileiros com um "até a próxima", que não deve demorar, tamanha satisfação dos músicos com o show.
A vinda dos Vaccines ao país se deu pelo Club NME Brasil, plataforma de shows da NME que trouxe Paul Banks, vocalista do Interpol, para um show no Cine Joia recentemente - veja a nossa cobertura.

5 de maio de 2013

Paul McCartney em Belo Horizonte | Crítica

*Matéria originalmente publicada no Omelete.com.br no dia 05 de maio de 2013


O que esperar do show de Paul McCartney? Esse era o questionamento constante nas longas filas do Mineirão, em Belo Horizonte, que  foi palco da estreia da nova turnê do ex-Beatle, Out There. Os fãs queriam novidades, afinal, esta é a quarta vez que o cantor está no país desde 2010. E mesmo nesse curto espaço de tempo, McCartney consegue se reinventar e comprovar o porquê de ser um dos grandes nomes da música mundial.

O repertório das três horas mudou muito em relação aos anteriores – os clássicos seguem na lista, mas é possível ver muitas surpresas, como "Lovely Rita", "Your Mother Should Know" e "Being for the Benefit of Mr. Kite!" dos Beatles e "Listen to what the man said" e "Hi, Hi, Hi" dos Wings. "My Valentine", de Kisses on the Bottom, também foi tocada. O palco é outra novidade da turnê; em "Blackbird", uma plataforma eleva Paul e o deixa em destaque durante toda a execução da música.

As sete décadas de idade não parecem ser um problema para o cantor. Correndo de um lado para o outro entre as músicas, ele mostrou uma disposiçāo de dar inveja; além de, como sempre, se esforçar para falar português. As frases mais aplaudidas foram "ô trem bom, sô" e "eu vim falar uai", expressões típicas do povo mineiro.

Uma campanha em redes sociais chamada "Paul, vem falar uai" ganhou muita força, e segundo o cantor, foi um dos motivos pela escolha da passagem por Belo Horizonte. Ele chamou as criadoras da campanha no palco e pediu aplausos depois de dar autógrafos, abraçar e agradecer a todas elas.

Algumas que eram executadas nas outras turnês voltam em Out There, tais como "All my loving", "Paperback writer", "Long and winding road", "Back in USSR", "Day Tripper", "Obladi Oblada", "Lady Madonna", "Something" "Yesterday", "Let it be", "Hey Jude" e "Live and Let Die". Paul tocou também "Something", uma homenagem a George Harrison, guitarrista do quarteto de Liverpool, que morreu em 2001.

"Hey Jude" pode ser a música mais batida de seu repertório, mas sempre emociona. Um estádio inteiro cantando uma canção é muito bonito e Paul é mestre em reger multidões. O mesmo aconteceu com "Let It Be", quando o Mineirão brilhou com as luzes dos telefones celulares do público.

Um pouco depois, em "Band on the run" uma falha no sistema de áudio deixou a platéia sem nenhum som durante cerca de 30 segundos. A banda continuou tocando e o problema foi normalizado rapidamente. Nos últimos minutos da apresentação Paul McCartney foi a loucura quando todos na pista levantaram cartazes com os dizeres "Thank you", que tinham sido distribuídos na entrada. Após duas horas e meia de show e mais de 30 canções executadas, o Beatle fechou a noite no segundo bis com "The End".

Paul McCartney não poderia ter escolhido lugar melhor para a estreia da turnê "Out There". O Brasil é praticamente sua segunda casa. O show no Mineirão foi um bom começo de turnê, mostrando que, ainda existe muito gás para encantar plateias em todo mundo.