Estive mais uma vez com Marcelo Camelo nesta terça-feira, dia 19 de abril de 2011. Ele estava em mais uma sessão de ensaios no Estúdio 500 para a turnê de seu novo CD “Toque Dela”, com a banda Hurtmold. A estreia será no SESC Pompéia (SP), nos dias 28, 29, 30 de abril e 1º de maio, com ingressos esgotados.
Ele estava muito tranquilo, feliz com o que falaram do disco e acertando os últimos detalhes nas musicas recém-lançadas. Marcelo ainda me confessou: “pô cara, que bom que você também gostou do disco. Tava preocupado com isso antes de lançar, sabia?”, disse com seu sotaque carioca característico. Não cheguei a assistir o ensaio, mas ouvi trechos de musicas que vazavam do estúdio. Uma delas, era “Menina Bordada”, musica do primeiro CD solo, sinal que ele vai tocar canções antigas no show. Para tirar a dúvida, decidi questioná-lo sobre o assunto. A resposta: “Vamos tocar todas as musicas do disco novo e algumas antigas, um repertório mais longo”. O resto fica para os shows!
Após praticamente 5 anos de espera, os fãs da banda norte americana Strokes podem comemorar: o quarto álbum, chamado Angles, foi finalmente lançado.
O Angles é um álbum diferente de todos os outros três. Desta vez todos integrantes participaram do processo de criação das músicas, diferente do que aconteceu anteriormente, quando o vocalista Julian Casablancas compôs tudo.
Essa diferença está clara na sonoridade das dez faixas do disco – absolutamente diferente de tudo que a banda já havia mostrado ao público – talvez por isso foi um disco tão criticado. Mas quem acompanhou os trabalhos independentes de Casablancas, percebeu a grande influência que ele teve sobre o disco: as linhas eletrônicas.
O CD começa com um tapa na cara de qualquer fã xiita de Strokes, com a ótima Machu Picchu, uma mistura de reggae com batidas eletrônicas e refrão marcante.
Logo em seguida vem a musica de trabalho, que foi lançada como single um mês antes do restante do CD. Esta é a grande música do álbum: Under Cover of Darkness. A canção capta a essência da banda nova-iorquina, com riffs incríveis, bateria característica de Fab Moretti e gritos poderosos e arrastados de Casablancas no refrão. Tudo isso faz com que essa seja uma das melhores músicas lançadas neste ano.
A quarta faixa de Angles também foi divulgada antes do lançamento oficial do disco. Essa foi a primeira impressão que os fãs tiveram do “novo Strokes”, bem diferente dos jovens despenteados que cantavam hits como Last Night, 12:51 e You Only Live Once.
É um disco regular, que deve ser digerido e ouvido sem muitas expectativas, já que os Strokes foram colocados como a salvação do Rock n’ Roll, após quase uma década sem expoentes no gênero – mas vale lembrar, há uma música extremamente boa, a Under Cover of Darkness.
Pronto. Ouvi o novo disco do Marcelo Camelo inteirinho, música por música.
Conversei com o Camelo há uns três meses e ele me disse que estava bem satisfeito com o que gravou. Há duas semanas, em um novo encontro, desta vez ensaiando no Estúdio 500 para a turnê que começa em São Paulo no dia 28 de abril, Marcelo exibia um sorriso incontrolável no rosto, como de quem sabia de que fez algo certo. Falei que gostei do primeiro single e ele respondeu: “Pô cara, obrigado. Muita gente gostou, isso é muito bom.”
É um CD bem mais alegre, com um fundinho da melancolia típica do Marcelo. Parece que ele tá sempre superando um obstáculo. Desta ultima vez que encontrei Marcelo, falei também com a Mallu, namorada dele, com quem tenho mais contato. Os dois estavam muito felizes e carinhosos. Dá pra ver todo esse carinho no álbum. Os meninos do Hurtmold também estavam muito tranquilos.
As melodias estão muito bem feitas, assim como em tudo que ele já fez. Metais bem colocados e a banda de apoio (Hurtmold) perfeita. São dez músicas bem gostosas, não dá pra detestar nenhuma. Aquele tipo de disco que você coloca no carro ao viajar e não passa nenhuma música. As canções, no geral, possuem ótimos riffs, que grudam na cabeça.
O single de trabalho é “Ôô”, que já tinha sido lançada no mês passado. Uma das minhas preferidas, com uma melodia muito gostosa, metais cativantes e um metalofone que passeia pela música sem cansar o ouvinte.
A quarta faixa do disco, “Acostumar” é uma musica incrível, onde Marcelo canta uma boa letra com uma voz incrível. O instrumental também é muito gostoso.
Outra música que chamou a minha atenção logo de cara é a faixa 5, chamada “Pretinha”. Tem um ritmo que não vejo há muito tempo nas musicas do Camelo (talvez desde o Ventura, terceiro álbum dos Los Hermanos, lançado em 2003).
Em "Vermelho", a oitava música do disco, Marcelo Camelo mostra como fazer uma bela canção, com seus tradicionais metais, um violão bem tocado e a banda entrando na hora certa, empolgando qualquer um.
A nona musica é “Despedida”, que já havia aparecido no DVD Ao Vivo lançado recentemente.
Os fãs de Hermanos podem não gostar muito deste disco, coisa que já aconteceu no primeiro disco solo de Marcelo, por se distanciar um pouco do que os barbudos fizeram nos quatro discos que lançaram.
Os fãs de Camelo – em sua grande maioria – devem gostar muito do disco. A melancolia-marceliana ainda está ali, mas como lembranças de algo que já passou. Um disco muito sincero e simpático, provando que Marcelo Camelo não está fazendo discos por obrigação, mas porque ainda tem muito que expressar.