25 de fevereiro de 2013

Andrew Bird faz show "unânime" no Cine Jóia


Andrew Bird (centro) e banda no Cine Joia - Crédito: Julio Pacheco

Depois desse sábado (23 de fevereiro) posso afirmar: Nelson Rodrigues não escreveria que “toda unanimidade é burra” se tivesse ido ao show do Andrew Bird no Cine Joia, em São Paulo.

Não fiz uma pesquisa para saber o nível de satisfação depois do show e o Datafolha também não se interessou na pauta, mas tenho certeza que todos que acompanharam Bird nas duas horas de espetáculo voltaram pra casa extasiados.

Para contar como fui parar no show do americano nascido em Chicago, preciso voltar um pouco no tempo. A vinda de Andrew Bird para o Brasil só foi concretizada por causa de um novo projeto de Crowdfunding (a famosa vaquinha) do site Songkick (aquele que mostra os artistas que vão tocar em cada cidade).

O negócio funciona assim: os fãs de uma banda ou artista que moram numa cidade qualquer se juntam e fazem uma vaquinha muito bem organizada. No caso do Andrew Bird isso aconteceu em várias cidades da América Latina, facilitando a logística e permitindo uma mini-turnê. 

Um desses fãs de uma cidade qualquer é um amigo, que me chamou pro show. Aliás, o Cine Joia estava abarrotado de fãs do cara, que sabiam exatamente onde ele faria cada assovio e gravaria cada loop com sua guitarra ou violino, acompanhado de sua banda perfeitamente ensaiada.

Andrew subiu ao palco e não falou muito. Logo deu para perceber uma certa timidez. Apenas agradeceu o público presente e comentou que não esperava uma plateia tão animada. A verdade é que os espectadores estavam todos hipnotizados pela música de Bird, que mistura indie com um pouco de folk, rock e até jazz.

De verdade, poucas vezes vi um público tão entregue a um espetáculo. enquanto eu fotografava, pensava que isso deveria estar acontecendo por causa da tal vaquinha feita para trazê-lo ao país. Todo mundo que estava ali tinha feito um esforço (mesmo que mínimo) para que ele viesse.

Algumas músicas depois, parei de fotografar para assistir o show com calma. Não demorou muito para que eu me tornasse um dos que olhava para Andrew como um Santo, fazendo milagres com seus instrumentos.

Depois de uma hora e meia ele saiu do palco sendo ovacionado. Retornou em poucos minutos para o bis, como nas outras cidades que ele tocou nessa turnê. Fez com que o transe retornasse ao Cine Joia e saiu novamente. Se seguisse o protocolo de todas as outras atuações da turnê, esse seria o fim do concerto. Mas depois de muitos pedidos, o cantor voltou ao palco para mais uma música, encerrando a noite de todos em grande estilo.

Parece que essa mudança de protocolo foi o que faltava para a unanimidade que falei no início do texto. Se alguém estava ponderando se o show tinha sido bom ou não,  a duvida acabaria ali.


Sempre falo isso: a melhor forma de entender o que eu falo é ouvindo as músicas. Então ouça abaixo Andrew Bird - "Fake Palindromes" - Live at Bonnaroo



Depois posto o álbum de fotos do show, certo?

21 de fevereiro de 2013

Entertainment, a nova musica da banda francesa Phoenix

UPDATE: O disco vazou, minha gente! Já ouvi inteiro e digo que é muito bom, diferente de tudo feito pelo Phoenix. Depois escrevo sobre ele. Se quiser baixar, clique aqui e acesse ótimo o You!Me!Dancing!

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A banda francesa Phoenix divulgou nesta semana o primeiro single do álbum Bankrupt!, com previsão de lançamento para a última semana de abril, logo após suas apresentações no Coachella Valley Music and Arts Festival, onde serão headliners. 

A faixa, intitulada Entertainment, mostra que o Phoenix continua apostando na mistura de rock com música eletrônica, que rendeu grandes frutos ao quarteto natural de Versailles. Os sintetizadores dão o tom da música em toda sua duração, com riff que gruda na cabeça. A letra é gostosa e fácil de decorar, outra característica do grupo formada por Thomas Mars, Deck d'Arcy e os irmãos Laurent Brancowitz e Christian Mazzalai. 

Poucos sabem disso, mas a origem da mistura da música eletrônica do Phoenix veio do Daft Punk. O guitarrista Laurent Brancowitz participou da banda Darlin' no início de 1992. A parceria acabou durando apenas um ano e com o fim do conjunto, dois dos integrantes, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo formaram o consagrado Daft Punk. 

Ouça a faixa Entertainment, primeiro single do quinto álbum do Phoenix, Bankrupt!


Mais uma curiosidade sobre o Phoenix: o vocalista Thomas Mars é casado com a diretora Sofia Coppola, que acaba usando as músicas da banda na trilha de seus filmes. Em Somewhere (2010), a ótima canção Love like a sunset dá o ar da graça algumas vezes. O conjunto também apareceu fazendo figuração em Marie Antoinette (2006), como você pode conferir abaixo: 




18 de fevereiro de 2013

Geração Jack White



Se estou escrevendo um texto que logo no título sugere que todo mundo saiba quem é Jack White, eu não deveria perder muito tempo detalhando a trajetória dele, mas...

Jack é um dos maiores virtuosos que o mercado fonográfico lançou nos últimos tempos. Até os leitores com memória mais fraca devem se lembrar do White Stripes, banda que formou com Meg White, em 1997. Eles fizeram muito sucesso, tiveram músicas em vários comerciais, hit que teve remix para tocar na balada e até torcida de futebol incorporando uma das canções em gritos de guerra.

Mas o White Stripes nunca foi suficiente para Jack, que fundou em 2005 os Raconteurs, novamente para emplacar hits. Depois veio o Dead Weather, em 2009, onde ele pôde experimentar mais sonoridades, seguindo enfim, em 2012, para carreira solo (onde ele acaba tocando as músicas de todas bandas antigas e de seu novo CD, intitulado Blunderbuss). Ele mistura rock e blues com o som da região sul americana, com pegadas de country, às vezes.

Jack não se preocupa com guitarras afinadas ou reguladas. Ele precisa de seu Fuzz – efeito que usa praticamente em todas musicas -, de um microfone e de baterias bem ritmadas e com pegadas pesadas (ele é um ótimo baterista). O resto, faz parte do show dele. Riffs que grudam na cabeça, letras fantásticas, som agressivo e um grande frontman – somatória que o rendeu diversos prêmios na carreira, como Grammys, VMA’s, VME’s, NME Awards etc.

Apresentações feitas, vamos para o que interessa. Estava falando que Jack White influenciou toda uma geração de novos músicos que surgiram desde os anos 2000 para cá.  Um dos motivos disso acontecer é porque o guitarrista, natural de Detroit, busca o tempo todo uma sonoridade autêntica e marcante, que pode ser ouvida em todos seus trabalhos, independentemente de compatibilidade com o mercado musical da época – ele talvez tenha sido o primeiro músico desde o movimento grunge (final dos anos 80, inicio dos 90) a realmente fazer algo novo, diferente.

Todos esses anos tocando um som bem autoral e dando resultados acabou encorajando novas bandas a fazerem o mesmo.  Muitas delas também apostaram em uma sonoridade parecida, com um aspecto bem cru e forte. O maior exemplo disso talvez seja o Black Keys, banda formada em 2001 nos EUA pelo guitarrista e produtor Dan Auerbach e o baterista Patrick Carney. A dupla bombou principalmente depois do sexto álbum, intitulado Brothers e se consagrou com o El Camino, mais recentemente.

Eles comentam em diversas entrevistas as fortes influências de Jack White na banda que é considerada uma das maiores revelações dos últimos tempos (e eles vão tocar no Lollapalooza 2013, em São Paulo! Boa oportunidade de assistir um show fantástico).

Dá pra listar mais bandas. Tem o Alabama Shakes, americanos, que também vão tocar no Lollapalooza  Brasil 2013 (gosto de falar de bandas que vão se apresentar no país porque tenho certeza que vou convencer vocês a comprarem os ingressos). Essa banda mistura rock com blues e tem uma vocalista poderosa, Brittany Howard, com bastante soul. Vale conferir.

O The Kills é outra banda que pode ser considerada filha da sonoridade “Jack Whitiana”. Apesar de serem praticamente contemporâneos, pode-se ouvir muito das guitarras de Jack nos álbuns do Kills. Posteriormente Alison Mosshart se filiaria ao Dead Weather, liderado por White.

Também me lembro do Wolfmother, The Henchmen, Cage the Elephant e até dos consagrados Queens of the Stone Age.

Acho que a melhor forma de entender tudo isso é ouvindo banda por banda. Então abra o youtube, perca a preguiça e procure todas essas bandas. E se quiser saber mais sobre o Jack White, assista o filme “A todo volume”, que reúne as carreiras de Jack, The Edge (U2) e Jimmy Page (santo Led Zeppelin).

Ouça "I cut like a buffalo", do The Dead Weather

Strokes prometem CD novo e lançam singles


A última vez que escrevi nesse blog sobre os Strokes foi quando eles estavam lançando o último CD, o Angles, de 2011. Depois disso, vieram para o Brasil tocar no Planeta Terra 2011 (um dos melhores shows que já fui) e começaram a preparar o novo álbum de estúdio, que será divulgado ainda esse ano e se chamará “Comedown Machine”.

O lançamento já está cercado de polêmica, principalmente depois da estreia do primeiro single, “One way trigger”, que é bem exótica (fui bem delicado). Desde o Angles pra cá, os nova-iorquinos estão investindo bastante em um som carregado de sintetizadores e batidas eletrônicas, se aproximando à sonoridade da carreira solo de Julian Casablancas, vocalista do conjunto.

Não entendeu? Ouça abaixo o single “One way trigger” com um vídeo fantástico

Vi muitos amigos meus reclamarem bastante da música, dizendo que nem iam ouvir o CD quando saísse, que o fizeram com o Chimbinha e a Joelma do Calypso, etc. Eu gostei bastante, talvez porque eu tenha adorado o disco passado.

Aí eles avisaram que iam lançar mais um single, e a “Síndrome do Calypso” ameaçou aparecer de novo. Mas para a felicidade dos fãs antigos, a ótima “All the time” resgata o Strokes antigo, com vocais sujos e riffs gostosos.

Ouça abaixo:

A verdade é que ainda não dá pra saber muito o que a vai rolar em “Comedown Machine”, que estreia em 26 de março. 

Fotos: Show dos Los Hermanos no Espaço das Américas (Setembro de 2012)

Galeria de fotos que tirei no show dos Los Hermanos, em setembro de 2012, no Espaço das Américas, São Paulo.