18 de fevereiro de 2013

Geração Jack White



Se estou escrevendo um texto que logo no título sugere que todo mundo saiba quem é Jack White, eu não deveria perder muito tempo detalhando a trajetória dele, mas...

Jack é um dos maiores virtuosos que o mercado fonográfico lançou nos últimos tempos. Até os leitores com memória mais fraca devem se lembrar do White Stripes, banda que formou com Meg White, em 1997. Eles fizeram muito sucesso, tiveram músicas em vários comerciais, hit que teve remix para tocar na balada e até torcida de futebol incorporando uma das canções em gritos de guerra.

Mas o White Stripes nunca foi suficiente para Jack, que fundou em 2005 os Raconteurs, novamente para emplacar hits. Depois veio o Dead Weather, em 2009, onde ele pôde experimentar mais sonoridades, seguindo enfim, em 2012, para carreira solo (onde ele acaba tocando as músicas de todas bandas antigas e de seu novo CD, intitulado Blunderbuss). Ele mistura rock e blues com o som da região sul americana, com pegadas de country, às vezes.

Jack não se preocupa com guitarras afinadas ou reguladas. Ele precisa de seu Fuzz – efeito que usa praticamente em todas musicas -, de um microfone e de baterias bem ritmadas e com pegadas pesadas (ele é um ótimo baterista). O resto, faz parte do show dele. Riffs que grudam na cabeça, letras fantásticas, som agressivo e um grande frontman – somatória que o rendeu diversos prêmios na carreira, como Grammys, VMA’s, VME’s, NME Awards etc.

Apresentações feitas, vamos para o que interessa. Estava falando que Jack White influenciou toda uma geração de novos músicos que surgiram desde os anos 2000 para cá.  Um dos motivos disso acontecer é porque o guitarrista, natural de Detroit, busca o tempo todo uma sonoridade autêntica e marcante, que pode ser ouvida em todos seus trabalhos, independentemente de compatibilidade com o mercado musical da época – ele talvez tenha sido o primeiro músico desde o movimento grunge (final dos anos 80, inicio dos 90) a realmente fazer algo novo, diferente.

Todos esses anos tocando um som bem autoral e dando resultados acabou encorajando novas bandas a fazerem o mesmo.  Muitas delas também apostaram em uma sonoridade parecida, com um aspecto bem cru e forte. O maior exemplo disso talvez seja o Black Keys, banda formada em 2001 nos EUA pelo guitarrista e produtor Dan Auerbach e o baterista Patrick Carney. A dupla bombou principalmente depois do sexto álbum, intitulado Brothers e se consagrou com o El Camino, mais recentemente.

Eles comentam em diversas entrevistas as fortes influências de Jack White na banda que é considerada uma das maiores revelações dos últimos tempos (e eles vão tocar no Lollapalooza 2013, em São Paulo! Boa oportunidade de assistir um show fantástico).

Dá pra listar mais bandas. Tem o Alabama Shakes, americanos, que também vão tocar no Lollapalooza  Brasil 2013 (gosto de falar de bandas que vão se apresentar no país porque tenho certeza que vou convencer vocês a comprarem os ingressos). Essa banda mistura rock com blues e tem uma vocalista poderosa, Brittany Howard, com bastante soul. Vale conferir.

O The Kills é outra banda que pode ser considerada filha da sonoridade “Jack Whitiana”. Apesar de serem praticamente contemporâneos, pode-se ouvir muito das guitarras de Jack nos álbuns do Kills. Posteriormente Alison Mosshart se filiaria ao Dead Weather, liderado por White.

Também me lembro do Wolfmother, The Henchmen, Cage the Elephant e até dos consagrados Queens of the Stone Age.

Acho que a melhor forma de entender tudo isso é ouvindo banda por banda. Então abra o youtube, perca a preguiça e procure todas essas bandas. E se quiser saber mais sobre o Jack White, assista o filme “A todo volume”, que reúne as carreiras de Jack, The Edge (U2) e Jimmy Page (santo Led Zeppelin).

Ouça "I cut like a buffalo", do The Dead Weather

2 comentários:

  1. Fala Julião!
    O Jack White é o ícone dessa geração e talvez o melhor exemplo de que música deve ser feita com tesão e sem frescura.

    abs

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  2. Adorei o texto e aula sobre o Jack White.

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